{"id":164,"date":"2021-03-30T18:42:59","date_gmt":"2021-03-30T17:42:59","guid":{"rendered":"https:\/\/portosantocharter.eu\/?page_id=164"},"modified":"2025-09-23T13:03:01","modified_gmt":"2025-09-23T12:03:01","slug":"the-charter","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/the-charter\/","title":{"rendered":"A Carta"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 com entusiasmo que partilhamos convosco a vers\u00e3o final da Carta do Porto Santo. O texto final pode ser descarregado aqui em Ingl\u00eas, Portugu\u00eas, Castelhano e Alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns are-vertically-aligned-center download is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-fa8885af wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"margin-top:0;margin-bottom:40px;padding-top:20px;padding-bottom:20px\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\"><a id=\"wp-block-file--media-21d475d5-edcf-4141-ad4a-38afb85b0f3b\" href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/VF_ING_CPS_AD.pdf\">PDF of the version in English<br><br><\/a><a href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/VF_ING_CPS_AD.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-21d475d5-edcf-4141-ad4a-38afb85b0f3b\"><strong>Descarregar (EN)<\/strong> <i class=\"fas fa-download\"><\/i><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\" style=\"margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><a id=\"wp-block-file--media-b0686d70-681c-4f39-ac9a-8f685410c75b\" href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/VF_PT_CPS_AD_062025.pdf\">PDF da vers\u00e3o em Portugu\u00eas<br><br><\/a><a href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/VF_PT_CPS_AD_062025.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-b0686d70-681c-4f39-ac9a-8f685410c75b\"><strong>Descarregar<\/strong> <i class=\"fas fa-download\"><\/i><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-container-core-column-is-layout-88c526e3 wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0;flex-basis:25%\">\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\" style=\"margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><a id=\"wp-block-file--media-7ffbec3b-c1a4-4f02-85e7-e5a36df92e52\" href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/VF_ESP_CPS_AD.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PDF de la versi\u00f3n en Castellano<br><br><\/a><a href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/VF_ESP_CPS_AD.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-7ffbec3b-c1a4-4f02-85e7-e5a36df92e52\"><strong>Descargar<\/strong> <i class=\"fas fa-download\"><\/i><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\" style=\"margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><a id=\"wp-block-file--media-1fb494ca-5c77-4be3-a2d4-31f52bead970\" href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GERM_CPS-25.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PDF der deutschen Version<br><br><\/a><a href=\"https:\/\/portosantocharter.eu\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GERM_CPS-25.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-1fb494ca-5c77-4be3-a2d4-31f52bead970\"><strong>Herunterladen<\/strong> <i class=\"fas fa-download\"><\/i><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto completo pode tamb\u00e9m ser lido abaixo na sua vers\u00e3o portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" id=\"preamble\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"preamble\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>Pre\u00e2mbulo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list is-style-none\">\n<li>a) A Confer\u00eancia do Porto Santo, no \u00e2mbito da Presid\u00eancia Portuguesa do Conselho d Uni\u00e3o Europeia, prop\u00f5e esta Carta do Porto Santo como um mapa orientador d princ\u00edpios e de recomenda\u00e7\u00f5es para aplicar e desenvolver um paradigma de democracia cultural na Europa.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>b) A Carta do Porto Santo dirige-se a decisores pol\u00edticos europeus, de todos os n\u00edveis (autoridades europeias, governos nacionais, regionais e locais); \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es culturais e educativas; e aos cidad\u00e3os europeus, para que se responsabilizem pelo horizonte cultural comum.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>c) Na sequ\u00eancia do Plano de A\u00e7\u00e3o para a Democracia Europeia (Comiss\u00e3o Europeia, 2020), pretende-se explicitar e promover o papel do sector cultural no aprofundamento da democracia.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>d) Em contexto pand\u00e9mico, a Presid\u00eancia Portuguesa do Conselho da Uni\u00e3o Europeia assumiu no seu programa \u00abpromover a recupera\u00e7\u00e3o, a coes\u00e3o e os valores europeus\u00bb (Europa Resiliente); \u00abvalorizar e refor\u00e7ar o modelo social europeu\u00bb (Europa Social) e \u00abpromover uma Europa aberta ao mundo\u00bb (Europa Global). O sector cultural n\u00e3o pode ficar afastado destes objetivos comuns, \u00e9 parte determinante dessas tarefas inacabadas, porque a cultura tem um poder transformador.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>e) A pandemia Covid19 evidenciou a import\u00e2ncia da cultura para a qualidade das nossas vidas, mas contribuiu tamb\u00e9m para erguer barreiras a muitos n\u00edveis, entre os quais no acesso \u00e0 cultura. O refor\u00e7o da democracia na Europa implicar\u00e1 deitar abaixo esses muros e remover os obst\u00e1culos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, tornando-a o mais ampla poss\u00edvel. As desigualdades que a pandemia exp\u00f4s, as fragilidades do sector cultural e a propens\u00e3o ao surgimento de tens\u00f5es sociais, exigem que as manifesta\u00e7\u00f5es culturais sejam valorizadas como parte do desenvolvimento sustent\u00e1vel do projeto europeu.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>f) Esta Carta \u00e9 devedora de muitos autores e de documentos estrat\u00e9gicos anteriores sobre direitos culturais e o impacto social da cultura: a come\u00e7ar pelo Artigo 27o da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos (ONU, 1948): \u00abtodos t\u00eam o direito a livremente participar na vida cultural da comunidade (...)\u00bb.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>g) Esta Carta \u00e9 o resultado de um processo de escuta, de discuss\u00e3o e de colabora\u00e7\u00e3o, com a participa\u00e7\u00e3o de representantes dos estados-membros da Uni\u00e3o Europeia e das Institui\u00e7\u00f5es, Associa\u00e7\u00f5es e Redes europeias do sector cultural e educativo. O conte\u00fado (democracia cultural) e a forma (processo de pensamento colaborativo) constituem, assim, uma unidade.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li>h) Apresentada no Porto Santo, regi\u00e3o ultra-perif\u00e9rica europeia assumida como centro de irradia\u00e7\u00e3o de propostas de pol\u00edtica cultural e educativa, propomos que esta Carta seja um farol para orientar as pol\u00edticas, os discursos e as pr\u00e1ticas culturais e educativas, contribuindo para uma Europa mais plural, inclusiva e segura.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" id=\"health\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"1-the-health-of-democracy-and-the-role-of-culture\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>1. A sa\u00fade da democracia e o papel da cultura<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A democracia e os perigos que a amea\u00e7am s\u00e3o, novamente, quest\u00f5es centrais nas nossas sociedades. \u00c9 fundamental avaliar criticamente os modelos de democracia que implementamos e pensar em modos de intensificar e ampliar a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, para legitimar as institui\u00e7\u00f5es e os processos de decis\u00e3o. A democracia deve ser continuamente avaliada a partir das suas consequ\u00eancias. \u00c9 um processo, um movimento, mais do que uma condi\u00e7\u00e3o est\u00e1tica e permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A democracia \u00e9 uma metodologia social din\u00e2mica, uma forma de funcionamento e de partilha do poder. Nela valorizam-se os interesses e as necessidades de todos os cidad\u00e3os; d\u00e1-se-lhes voz e possibilidade de escolha; respeita-se a diversidade e valoriza-se a dissens\u00e3o. O estilo pr\u00f3prio da democracia \u00e9 o confiar na intelig\u00eancia cooperativa da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 fundamental que a democracia n\u00e3o seja vista como uma dimens\u00e3o especializada do sector pol\u00edtico, tem de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o transversal aos v\u00e1rios sectores sociais. Podemos viver num estado democr\u00e1tico e, no entanto, as diferentes dimens\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es da vida comunit\u00e1ria permanecerem autorit\u00e1rias. Neste sentido, \u00e9 necess\u00e1rio promover uma concep\u00e7\u00e3o de cidadania cultural baseada no pluralismo: no reconhecimento da multiplicidade de vozes e na valoriza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as. Interpreta\u00e7\u00f5es redutoras e un\u00edvocas da identidade cultural s\u00e3o perigosas, uma nega\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o democr\u00e1tica, inclusiva e aberta das culturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como consolidar a democracia na esfera cultural? Que rela\u00e7\u00f5es de poder se estabelecem nas institui\u00e7\u00f5es e nas pr\u00e1ticas culturais e educativas? Como pode a participa\u00e7\u00e3o cultural ajudar a emancipar os cidad\u00e3os? As institui\u00e7\u00f5es culturais, os seus processos e modos de organiza\u00e7\u00e3o, o que valorizam e prop\u00f5em, tem consequ\u00eancias na sa\u00fade democr\u00e1tica de uma sociedade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" id=\"democratisation\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"2-democratisation-of-culture-and-cultural-democracy\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>2. Democratiza\u00e7\u00e3o da cultura e Democracia cultural<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As palavras importam, t\u00eam uma hist\u00f3ria e incarnam ideologias, mesmo de forma inconsciente, e por isso \u00e9 fundamental analisar o discurso que usamos, porque novos contextos exigem novas perguntas e outras respostas. E quando novas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o encontram a resposta adequada no paradigma dominante (a matriz de pressupostos partilhada por uma determinada comunidade, que estrutura e orienta o pensamento e a a\u00e7\u00e3o), \u00e9 preciso reformul\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<h4 id=\"culture\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Cultura<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defini\u00e7\u00e3o da palavra cultura, nesta Carta, n\u00e3o quer ser demasiado ampla (tudo \u00e9 cultura), nem restrita em demasia (apenas a cultura erudita, das belas-artes e do grande patrim\u00f3nio). Entendemos cultura no plural, como um conjunto de sistemas simb\u00f3licos nos quais estamos inseridos e que nos ajudam a dar um sentido \u00e0 experi\u00eancia (pessoal e coletiva) e uma forma humana ao mundo, determinando o horizonte de possibilidades em que nos movemos. As culturas materializam-se nas manifesta\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, art\u00edsticas e patrimoniais das comunidades, envolvendo a tradi\u00e7\u00e3o herdada e a cria\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. As culturas s\u00e3o um processo criativo coletivo cont\u00ednuo, em que est\u00e3o envolvidos todos os grupos de uma determinada sociedade. As culturas s\u00e3o uma tarefa infinita: que recebemos em heran\u00e7a e que continuamos a trabalhar (conservando e inovando) para transmitirmos \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes (que continuar\u00e3o esse processo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao pensar a cultura, as perguntas sobre quem a faz, como \u00e9 feita e para quem, s\u00e3o essenciais para tomarmos consci\u00eancia do que reconhecemos e valorizamos como cultural. O que \u00e9 apoiado pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, o que programamos e divulgamos, depende, em larga medida, desse entendimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 id=\"democratisation-of-culture\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Democratiza\u00e7\u00e3o da cultura<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O paradigma \u00abDemocratiza\u00e7\u00e3o da cultura\u00bb, estruturado no final dos anos 19504, prop\u00f5e tornar acess\u00edveis, ao maior n\u00famero de pessoas, as obras-primas da humanidade e, em primeiro lugar, as do pa\u00eds em causa; aproximar o p\u00fablico do patrim\u00f3nio cultural e favorecer a cria\u00e7\u00e3o de obras de arte para enriquecer esse patrim\u00f3nio. A \u00abDemocratiza\u00e7\u00e3o da cultura\u00bb pressup\u00f5e, assim, uma vis\u00e3o bem-intencionada, mas descendente (top-down)\u2014e pensada no singular (a Cultura). Esta vis\u00e3o hierarquiza a cultura em erudita, de massas e popular, sendo a erudita aquela que merece ser \u00abdemocratizada\u00bb, difundida \u00abpara todos\u00bb, porque \u00e9 a que tem \u00abqualidade\u00bb. Este paradigma, no entanto, n\u00e3o problematiza a arbitrariedade da no\u00e7\u00e3o de cultura (associada \u00e0s belas-artes e ao patrim\u00f3nio hist\u00f3rico), e a sua aparente homogeneidade, nem as no\u00e7\u00f5es de qualidade e excel\u00eancia, ignorando que os crit\u00e9rios s\u00e3o conven\u00e7\u00f5es epocais, grupais, subjetivas e vari\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste paradigma a hierarquiza\u00e7\u00e3o cultural desvaloriza, n\u00e3o s\u00f3 as pr\u00e1ticas culturais, mas os pr\u00f3prios cidad\u00e3os\u2014olhados como consumidores, tratados como desiguais e exclu\u00eddos da fun\u00e7\u00e3o de agentes de cultura. \u00c9 fundamental compreender, no desenvolvimento de pol\u00edticas culturais.\nQue hierarquizar valores culturais implica, sempre, formas de poder e de autoridade\u2014de que \u00e9 preciso estar muito consciente.\nA difus\u00e3o cultural descendente n\u00e3o teve os resultados esperados. Os obst\u00e1culos n\u00e3o s\u00e3o apenas financeiros ou f\u00edsicos (ainda que estes sejam determinantes, permanecem), nem de divulga\u00e7\u00e3o ou de conhecimento. Os obst\u00e1culos s\u00e3o simb\u00f3licos e de sentido de perten\u00e7a. Nem mesmo a escolaridade foi condi\u00e7\u00e3o suficiente para ultrapassar essa barreira simb\u00f3lica. Cristalizaram-se as hierarquias sociais no acesso aos bens culturais. \u00c9 preciso pensar de outro modo, desenhar outro paradigma.<\/p>\n\n\n\n<h4 id=\"cultural-democracy\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Democracia cultural<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abDemocracia cultural\u00bb \u00e9 um modelo cultural que, tendo ra\u00edzes nos anos 1960, ganha preponder\u00e2ncia em alguns projetos na d\u00e9cada de 1980, e que advoga a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa e o reconhecimento das pr\u00e1ticas culturais dos diferentes grupos sociais. A \u00abDemocracia cultural\u00bb implica um novo modo de rela\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es e as comunidades: a cultura como um espa\u00e7o aberto onde cada cidad\u00e3o pode participar e ser respons\u00e1vel. Este paradigma implica uma mudan\u00e7a de atitude e um deslocamento da rela\u00e7\u00e3o de consumo para a do comprometimento.\nRecusa a menoriza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e dos p\u00fablicos n\u00e3o conotados com as elites, valorizando o que cada um sabe, as suas tradi\u00e7\u00f5es, a sua voz. N\u00e3o \u00ableva cultura\u00bb aos territ\u00f3rios, porque em todos os territ\u00f3rios j\u00e1 existe cultura: valoriza a cultura local e complementa-a com outras express\u00f5es culturais, abrindo a experi\u00eancia local ao universal, e estimulando esse di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vontade de preserva\u00e7\u00e3o da diversidade cultural e de prote\u00e7\u00e3o dos direitos culturais afirma-se como uma alternativa \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e cultural. Implica a valoriza\u00e7\u00e3o de culturas e p\u00fablicos distintos e reconhece o direito de emancipa\u00e7\u00e3o e empoderamento dos cidad\u00e3os como sujeitos culturais ativos: com a possibilidade de participarem e decidirem a vida cultural das comunidades.\nPara isso, \u00e9 preciso dar acesso aos meios de produ\u00e7\u00e3o cultural e democratizar os processos de decis\u00e3o.\nDeve garantir-se a pluralidade na produ\u00e7\u00e3o cultural e na sua difus\u00e3o, n\u00e3o apenas no acesso. Assim, a democracia cultural favorece a pluraliza\u00e7\u00e3o, a territorializa\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es e a partilha do poder.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" id=\"Difference\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"3-difference-and-complementarity-between-the-two-cultural-models-towards-full-cultural-citizenship\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight translation-block\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>3. Diferen\u00e7a e complementaridade dos dois modelos culturais: <\/strong>para uma cidadania\ncultural plena<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois paradigmas d\u00e3o origem a distintas pol\u00edticas culturais e a diferentes modos de funcionamento das institui\u00e7\u00f5es. Promovem consci\u00eancias e representa\u00e7\u00f5es sociais diferenciadas do que \u00e9 e de quem pode produzir cultura. No entanto, podemos articular os dois paradigmas, em complementaridade.\nO conhecimento e o acesso \u00e0s grandes obras da humanidade, do passado ou contempor\u00e2neas, n\u00e3o se deve opor \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no ato criativo ou \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de diferentes tradi\u00e7\u00f5es e de novas narrativas. Mas \u00e9 fundamental refletir no modo como um modelo tem como pressuposto uma desigualdade que se quer reduzir, um deficit; e o outro uma igualdade que se reconhece e confirma.\nEsta igualdade exige direitos e deveres, meios e recursos, para ser concretizada. \u00abCidadania cultural\u00bb \u00e9 o exerc\u00edcio desses direitos e deveres culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de partida da Democracia cultural \u00e9 a verifica\u00e7\u00e3o da igualdade entre os detentores do poder institucional e os cidad\u00e3os. Pressupor, \u00e0 partida, que essa igualdade s\u00f3 estar\u00e1 no fim do processo, \u00e9 manter sempre a pretensa desigualdade original. \u00c9 fundamental tomar consci\u00eancia do poder que se exerce quando se criam institui\u00e7\u00f5es, se faz programa\u00e7\u00e3o, se distribui financiamento, se organizam exposi\u00e7\u00f5es e o acesso a elas. \u00c9 priorit\u00e1rio garantir a acessibilidade integrada nas institui\u00e7\u00f5es culturais, quer na rela\u00e7\u00e3o com as comunidades, quer na sua organiza\u00e7\u00e3o interna. \u00c9 preciso negar todas as utiliza\u00e7\u00f5es da cultura como sinal de distin\u00e7\u00e3o social, recusar hierarquiza\u00e7\u00f5es estigmatizantes, que funcionam como viol\u00eancia simb\u00f3lica de um grupo social com poder sobre outros, que se sentem deslocados, exclu\u00eddos e n\u00e3o representados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Democracia cultural implica uma aten\u00e7\u00e3o multidimensional \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos,\ne o abandono da no\u00e7\u00e3o de p\u00fablico no singular. Um passo fundamental para que as institui\u00e7\u00f5es possam democratizar-se \u00e9 conhecer os p\u00fablicos\u2014os que existem e os que poder\u00e3o existir.\nCaso contr\u00e1rio, formam-se ideias e imagens ilus\u00f3rias que existem apenas enquanto representa\u00e7\u00f5es dos respons\u00e1veis institucionais. As organiza\u00e7\u00f5es culturais n\u00e3o representar\u00e3o as comunidades que devem servir se n\u00e3o as conhecerem, do mesmo modo que n\u00e3o poder\u00e3o convoc\u00e1-las para a participa\u00e7\u00e3o, sem saber e valorizar o que j\u00e1 s\u00e3o, aquilo que sabem e vivem. Temos de transformar as \u00abins-titui\u00e7\u00f5es\u00bb em \u00abex-titui\u00e7\u00f5es\u00bb, lugares abertos e de rela\u00e7\u00e3o, em sa\u00edda de si; e as audi\u00eancias em protagonistas com voz, e n\u00e3o meros figurantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, na defesa da Democracia cultural n\u00e3o se pode cair no erro de recusar a tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica e as manifesta\u00e7\u00f5es patrimoniais da humanidade, nem num relativismo em que tudo se am\u00e1lgama, sem crit\u00e9rios. \u00c9 um exerc\u00edcio complexo, em que o populismo f\u00e1cil pode conduzir a uma hipervaloriza\u00e7\u00e3o das identidades culturais locais ou espec\u00edficas, confirmando apenas as expectativas e sem abertura de novos horizontes. A cultura \u00e9 um modo de sair de si e colocar-se no lugar do outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O voluntarismo \u00e9 tamb\u00e9m um perigo: julgar que n\u00e3o \u00e9 preciso prepara\u00e7\u00e3o, nem media\u00e7\u00e3o, nem conhecimento dos c\u00f3digos das pr\u00e1ticas culturais e dos p\u00fablicos, assumindo que todas as experi\u00eancias culturais, populares e eruditas, s\u00e3o auto-explicativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos confundir Democracia cultural com a participa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. A rela\u00e7\u00e3o com as manifesta\u00e7\u00f5es culturais n\u00e3o precisa de ser \u00abparticipativa\u00bb, do ponto de vista f\u00edsico, para ser significativa. Ser espectador ou fruidor (e aprender a s\u00ea-lo) \u00e9 um dos aspetos determinantes dessa participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra quest\u00e3o a ter em aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 a possibilidade de conflito entre os conceitos \u00abexcel\u00eancia\u00bb e \u00abqualidade\u00bb nas vis\u00f5es da Democratiza\u00e7\u00e3o da cultura e da Democracia cultural. Em primeiro lugar, \u00e9 preciso compreender a ambiguidade e polissemia desses conceitos. Depois, que a excel\u00eancia ou qualidade n\u00e3o est\u00e1 apenas no produto, mas pode ser encontrada no processo, na rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre obra e p\u00fablico, no envolvimento afetivo e intelectual que permite, na cria\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, na altera\u00e7\u00e3o de comportamentos. Podemos manter o objetivo da excel\u00eancia, mas \u00e9 preciso ser inclusivo e aberto na escolha das equipas que definem essa excel\u00eancia. O sistema de qualidade n\u00e3o pode ser uma forma de refor\u00e7o e reprodu\u00e7\u00e3o de desigualdade, de distin\u00e7\u00e3o social e de gosto elitista. A compreens\u00e3o de que a qualidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o cultural deve ser estimulada e debatida\u2014e uma forma de participa\u00e7\u00e3o franca numa democracia \u00e9 abrir esse debate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a Democracia cultural implica a participa\u00e7\u00e3o de cada um em prol da cultura de todos, n\u00e3o pode deixar de ser, tamb\u00e9m, a valoriza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, da sua capacidade pessoal de interven\u00e7\u00e3o no mundo, do seu potencial criativo e deliberativo individual, da sua liberdade de express\u00e3o. As pol\u00edticas culturais dever\u00e3o atender a esta liberdade criativa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" id=\"digital\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"4-cultural-citizenship-and-digital-territories\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>4. Cidadania cultural e territ\u00f3rios digitais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a Cidadania cultural \u00e9 o exerc\u00edcio dos direitos e deveres culturais, os territ\u00f3rios digitais devem ser compreendidos como mais um meio, e um meio com possibilidades pr\u00f3prias, para ampliar essa participa\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o cultural. Como qualquer outro meio, a sua utiliza\u00e7\u00e3o depender\u00e1 do paradigma que seguirmos e dos objetivos que desejarmos alcan\u00e7ar. Poder\u00e1 ser, meramente, um meio de divulga\u00e7\u00e3o cultural, dirigida a consumidores, ou, indo mais longe, ser um espa\u00e7o aberto de intera\u00e7\u00e3o, apropria\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da democracia cultural, at\u00e9 do ponto de vista da cria\u00e7\u00e3o: h\u00e1 patrim\u00f3nio a ser criado neste territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O digital \u00e9, tamb\u00e9m, uma ferramenta que facilita processos de colabora\u00e7\u00e3o dentro das institui\u00e7\u00f5es e entre estas e os cidad\u00e3os, compreendidos como colaboradores. As ferramentas digitais s\u00e3o \u00fateis para escutar as pessoas e as comunidades, e at\u00e9 para as envolver na defini\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o territ\u00f3rio digital, como a atual pandemia veio demonstrar, \u00e9 tamb\u00e9m espa\u00e7o de exclus\u00e3o. N\u00e3o podemos deixar de pensar em solu\u00e7\u00f5es para mitigar essas barreiras que este territ\u00f3rio imp\u00f5e. Capacitar para a cidadania cultural implica tamb\u00e9m desenvolver, a montante, pol\u00edticas de acesso, inclus\u00e3o e literacia digital. Os fen\u00f3menos de desinforma\u00e7\u00e3o, de ataque a express\u00f5es culturais espec\u00edficas ou minorit\u00e1rias, bem como de privatiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o digital, devem ser acautelados.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" id=\"education\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"5-cultural-citizenship-and-education\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>5. Cidadania cultural e educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para promover a cidadania cultural, temos de colocar a cultura, entendida deste modo plural e participado, no cora\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas educativas, e a educa\u00e7\u00e3o no centro das pol\u00edticas culturais.\nPara que cada um possa participar na cultura de todos, de forma emancipada, tem de ter condi\u00e7\u00f5es para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 decisivo reconhecer as institui\u00e7\u00f5es culturais como territ\u00f3rio educativo\u2014do mesmo modo, que as escolas s\u00e3o polos culturais. Com este prop\u00f3sito, as institui\u00e7\u00f5es culturais n\u00e3o podem deixar de refor\u00e7ar o seu papel educativo, assumido na sua miss\u00e3o e espelhado na sua estrutura, nos seus recursos e nas suas pr\u00e1ticas. No mesmo sentido, alinhada com o modelo de democracia cultural, a escola deve valorizar as especificidades individuais, culturais, territoriais, e possibilitar que todos os alunos tenham acesso a variadas experi\u00eancias art\u00edsticas e manifesta\u00e7\u00f5es culturais ao longo da vida; que possam ver reconhecida a sua identidade cultural e valorizadas as express\u00f5es culturais da sua comunidade; que tenham acesso aos patrim\u00f3nios e consci\u00eancia da sua necess\u00e1ria salvaguarda; que ao longo do seu trajeto desenvolvam a criatividade e a imagina\u00e7\u00e3o, a sensibilidade est\u00e9tica e o pensamento cr\u00edtico; que conhe\u00e7am e efetivem os seus direitos e deveres culturais; e que descubram a sua pr\u00f3pria forma de participa\u00e7\u00e3o ativa na cultura de todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro da democracia, ou seja, com o futuro da Europa, tem de nos conduzir a dar voz e a escutar as gera\u00e7\u00f5es mais novas, torn\u00e1-las participantes no governo de todos\u2014a come\u00e7ar pela sala de aula e a escola, mas tamb\u00e9m representados nos conselhos consultivos das institui\u00e7\u00f5es culturais\u2014 e a integrar como iguais e sem desconfian\u00e7a as linguagens art\u00edsticas destas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande arma da democracia \u00e9 fazer emergir quest\u00f5es e debat\u00ea-las. Abrir a mesa da discuss\u00e3o, sem excluir, sem medo do dissenso ou do contradit\u00f3rio. \u00abCidad\u00e3os empenhados, informados e capacitados s\u00e3o a melhor garantia de resili\u00eancia para as nossas democracias\u00bb, como afirma o Plano de a\u00e7\u00e3o para a democracia europeia. A educa\u00e7\u00e3o, seja formal, informal ou n\u00e3o-formal, \u00e9 o laborat\u00f3rio da democracia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" id=\"recommendations\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 id=\"recommendations\" class=\"wp-block-heading has-text-color has-custom-weight\" style=\"color:#093257;font-weight:normal\"><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para podermos exercer o direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na cultura, s\u00e3o necess\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es imateriais e materiais para assegurar que uma liberdade substantiva exista, para que cada cidad\u00e3o e cada comunidade possam escolher participar e responsabilizar-se pelo horizonte cultural de todos. Para desenvolver esta cidadania cultural promotora da democracia, apresentamos propostas interligadas e dirigidas aos diferentes agentes do ecossistema cultural, nas suas diferentes escalas, e pensadas de forma sist\u00e9mica.<\/p>\n\n\n\n<h4 id=\"to-policy-makers\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Aos decisores pol\u00edticos:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:1\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Propor que os princ\u00edpios e valores da Democracia cultural sejam refor\u00e7ados nos objetivos e medidas de pol\u00edtica p\u00fablica cultural e educativa dos Estados-Membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/li>\n\n\n\n<li>Aprofundar o desenvolvimento de planos de a\u00e7\u00e3o intersectoriais de educa\u00e7\u00e3o e cultura, respondendo aos desafios e ao potencial criativo de uma Europa mais diversa, inclusiva e democr\u00e1tica.<\/li>\n\n\n\n<li>Refor\u00e7ar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e criar planos de a\u00e7\u00e3o de longo prazo para que os cidad\u00e3os possam exercer os seus direitos e deveres culturais: valorizando a diversidade cultural; capacitando-os e dando-lhes voz e poder de decis\u00e3o; envolvendo-os na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas culturais e na programa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es culturais; promovendo o acesso e a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cultural; responsabilizando-os pelo horizonte cultural comum. As ferramentas digitais oferecem mais uma oportunidade para a concretiza\u00e7\u00e3o destes objetivos.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"translation-block\">Desenhar um \u00cdndice de <em>Democracia Cultural<\/em>, para monitorizar programas de promo\u00e7\u00e3o da democracia cultural e a governa\u00e7\u00e3o, os processos e as pr\u00e1ticas que as institui\u00e7\u00f5es promovem para assegurar a diversidade multicultural, a participa\u00e7\u00e3o social alargada e a capacita\u00e7\u00e3o cultural dos cidad\u00e3os, valorizando outros crit\u00e9rios que n\u00e3o s\u00f3 os quantitativos\u2014em conformidade com o <em>Quadro de Indicadores sobre a Cultura e a Democracia<em> (Conselho da Europa, 2016).<\/li>\n\n\n\n<li>Financiar as organiza\u00e7\u00f5es culturais para que possam criar condi\u00e7\u00f5es concretas que promovam a democracia cultural.<\/li>\n\n\n\n<li>Assegurar que o espa\u00e7o digital \u00e9 um espa\u00e7o p\u00fablico para o exerc\u00edcio da democracia cultural.<\/li>\n\n\n\n<li>Promover a participa\u00e7\u00e3o de grupos sub-representados, com base em investimento que seja:\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>i) decidido por j\u00faris representativos da diversidade que se quer apoiar;<\/li>\n\n\n\n<li>ii) pautado por crit\u00e9rios de qualidade baseados em par\u00e2metros de acessibilidade, inclus\u00e3o, diversidade e igualdade;<\/li>\n\n\n\n<li>iii) facilitador de processos de longo prazo e que permita o envolvimento direto das comunidades na sua concretiza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li>Mapear as institui\u00e7\u00f5es culturais p\u00fablicas, os organismos do terceiro sector e os agentes culturais\u2014incluindo os coletivos informais\u2014que trabalham para a promo\u00e7\u00e3o de uma cultura participativa. Este mapeamento visa:\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>i) dar a conhecer o que j\u00e1 est\u00e1 implementado em cada territ\u00f3rio;<\/li>\n\n\n\n<li>ii) construir uma rede, partilhar boas pr\u00e1ticas e aprender mutuamente;<\/li>\n\n\n\n<li>iii) identificar o que pode ser melhorado e as formas mais adequadas para alter\u00e1-lo.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li>Multiplicar espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o (makerspaces), salas de ensaio, ateli\u00eas e est\u00fadios que\npromovam a experimenta\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o, de modo aut\u00f3nomo e colaborativo.<\/li>\n\n\n\n<li>Favorecer a emerg\u00eancia de projetos emancipat\u00f3rios a partir da realidade dos contextos, capacitando os seus agentes.<\/li>\n\n\n\n<li>Incentivar as atividades culturais amadoras e promovidas por organiza\u00e7\u00f5es informais e n\u00e3o-profissionais.<\/li>\n\n\n\n<li>Rever os curr\u00edculos do ensino obrigat\u00f3rio, para garantir que promovem perspetivas culturais diversificadas.<\/li>\n\n\n\n<li>Fomentar a introdu\u00e7\u00e3o no curr\u00edculo do ensino obrigat\u00f3rio e nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, de forma transdisciplinar e integrada, as culturas, as artes e os patrim\u00f3nios enquanto \u00e1reas fundamentais para o exerc\u00edcio de uma cidadania cultural, esclarecida e participada.<\/li>\n\n\n\n<li>Criar programas de forma\u00e7\u00e3o sobre democracia cultural e processos colaborativos nas \u00e1reas da media\u00e7\u00e3o, criatividade, programa\u00e7\u00e3o e para a responsabiliza\u00e7\u00e3o na salvaguarda dos patrim\u00f3nios, no ensino profissional, no ensino superior e na forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua.<\/li>\n\n\n\n<li>Introduzir, na forma\u00e7\u00e3o inicial e cont\u00ednua de educadores e professores, mais frui\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es multi e transculturais, conte\u00fados e pedagogias centradas nas artes e nos patrim\u00f3nios, que os capacitem para trabalhar o curr\u00edculo de forma transdisciplinar e criativa, e promovam a compreens\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o do paradigma da democracia cultural. Uma forma\u00e7\u00e3o que lhes d\u00ea condi\u00e7\u00f5es para promover nos alunos a aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias para a cidadania cultural, respeitando a pluralidade de express\u00f5es e valorizando as suas identidades culturais.<\/li>\n\n\n\n<li>Promover compet\u00eancias digitais para ultrapassar a exclus\u00e3o digital e assegurar neste meio o acesso a conte\u00fados de cultura, patrim\u00f3nio e artes, oferecendo \u00e0s pessoas a oportunidade de participar, criar e fruir experi\u00eancias culturais online, em especial as que habitam em \u00e1reas remotas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h4 id=\"to-cultural-and-educational-organisations\" class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c0s organiza\u00e7\u00f5es culturais e educativas:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ol start=\"17\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Reconhecer que as institui\u00e7\u00f5es culturais s\u00e3o territ\u00f3rios educativos e que as institui\u00e7\u00f5es educativas s\u00e3o polos culturais, promovendo a articula\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e projetos entre elas de forma estruturante e continuada.<\/li>\n\n\n\n<li>Repensar as organiza\u00e7\u00f5es culturais e educativas, no sentido de uma governa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica: promover processos colaborativos dentro da organiza\u00e7\u00e3o; envolver os seus membros nas delibera\u00e7\u00f5es e implementar uma pol\u00edtica interna de avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, que permita aferir o progresso dos processos de mudan\u00e7a e de partilha de poder (aplicar o \u00cdndice de Democracia cultural).<\/li>\n\n\n\n<li>Criar conselhos consultivos nas institui\u00e7\u00f5es culturais, convidando os membros das comunidades, em particular os mais jovens, para deles fazerem parte. O seu envolvimento nas quest\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o, da programa\u00e7\u00e3o \u00e0 media\u00e7\u00e3o, contribuir\u00e1 para que possam ser agentes culturais ativos e dinamizadores da miss\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o junto dos seus pares.\nOs conselhos consultivos com membros das comunidades promovem ainda a colabora\u00e7\u00e3o com novos grupos e o aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es com aqueles a quem se dirigem.<\/li>\n\n\n\n<li>Recorrer a profissionais externos de diferentes especialidades, para, em colabora\u00e7\u00e3o com os membros da institui\u00e7\u00e3o, promover a an\u00e1lise, planeamento e acompanhamento de processos de mudan\u00e7a que tornem a institui\u00e7\u00e3o inclusiva, diversa e acess\u00edvel (a n\u00edvel social, econ\u00f3mico, intelectual, f\u00edsico, sensorial).<\/li>\n\n\n\n<li>Assegurar que as equipas das institui\u00e7\u00f5es culturais espelham a diversidade cultural das comunidades que servem (aplicar o \u00cdndice de Democracia cultural).<\/li>\n\n\n\n<li>Promover, com regularidade, estudos de p\u00fablicos para a recolha de dados que permitam adaptar as estrat\u00e9gias em prol da diversifica\u00e7\u00e3o dos p\u00fablicos.<\/li>\n\n\n\n<li>Investir na acessibilidade das institui\u00e7\u00f5es e dos programas culturais, considerando as necessidades espec\u00edficas das pessoas e das comunidades, as suas origens \u00e9tnicas, religiosas, sociais e econ\u00f3micas, as defici\u00eancias f\u00edsicas, sensoriais e intelectuais e outras necessidades relacionadas com a desloca\u00e7\u00e3o e os transportes.<\/li>\n\n\n\n<li>Convidar programadores e artistas representativos da diversidade das comunidades para tamb\u00e9m assim promover a diversifica\u00e7\u00e3o dos p\u00fablicos.<\/li>\n\n\n\n<li>Trazer para a programa\u00e7\u00e3o e debate as quest\u00f5es sociais prementes, tornando as institui\u00e7\u00f5es culturais mais relevantes no debate contempor\u00e2neo e em protagonistas do desenvolvimento de consci\u00eancias sociais e culturais mais atentas democr\u00e1ticas, diversas e igualit\u00e1rias.<\/li>\n\n\n\n<li>Promover nas institui\u00e7\u00f5es a pluralidade de vozes, de pr\u00e1ticas, de formas de ver, interpretar e mediar a arte, a cultura e os patrim\u00f3nios e, desta forma, multiplicar os pontos de vista sobre os bens, as cole\u00e7\u00f5es, as programa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li>Confiar nos artistas e no seu pensamento divergente, trabalhar e aprender com eles emambientes educativos, culturais e patrimoniais, para desenvolver compet\u00eancias criativas,inovar pr\u00e1ticas e perspetivas metodol\u00f3gicas.<\/li>\n\n\n\n<li>Sair da institui\u00e7\u00e3o para trabalhar na e com a comunidade, e desse modo chegar a p\u00fablicos exclu\u00eddos.<\/li>\n\n\n\n<li>Comunicar os resultados dos projetos e processos de democracia cultural para dinamizar a dissemina\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas, inspirando as pessoas e mobilizando as institui\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li>Usar os meios digitais para a promo\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o no seio das institui\u00e7\u00f5es, e entre as institui\u00e7\u00f5es e os cidad\u00e3os, enquanto colaboradores e participantes.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h4 id=\"to-all-people\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Aos cidad\u00e3os:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ol start=\"31\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Refor\u00e7ar o sentido de perten\u00e7a \u00e0 comunidade e a coexist\u00eancia pac\u00edfica entre comunidades distintas, atrav\u00e9s da responsabiliza\u00e7\u00e3o de todos pelos patrim\u00f3nios de proximidade, enquanto \u00abbem comum\u00bb que importa n\u00e3o s\u00f3 conhecer e preservar mas questionar, refletir, discutir, aprender a reinterpretar e recontextualizar.<\/li>\n\n\n\n<li>Conhecer os direitos e deveres culturais dos cidad\u00e3os, na perspetiva da democracia cultural, para os poder exercer, se assim desejar. Essa liberdade implica responsabilizar-se pelo desenvolvimento das suas compet\u00eancias culturais e pugnar pelas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o exerc\u00edcio dos seus direitos e deveres.<\/li>\n\n\n\n<li>Reconhecer o patrim\u00f3nio cultural de proximidade como patrim\u00f3nio pr\u00f3prio e comprometer-se em ser um agente cultural que participa no processo de identifica\u00e7\u00e3o, de salvaguarda, prote\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, reinterpreta\u00e7\u00e3o desses patrim\u00f3nios.<\/li>\n\n\n\n<li>Colaborar com as institui\u00e7\u00f5es culturais, reconhecendo que a sua relev\u00e2ncia tamb\u00e9m depende da participa\u00e7\u00e3o ativa dos cidad\u00e3os.<\/li>\n\n\n\n<li>Envolver-se em movimentos culturais associativos, reconhecendo a sua import\u00e2ncia\npara a comunidade.<\/li>\n\n\n\n<li>Participar nos debates e nas consultas p\u00fablicas sobre pol\u00edticas culturais e educativas.<\/li>\n\n\n\n<li>Ser um agente cultural: o que implica expressar-se culturalmente e possibilitar que outros o possam fazer.<\/li>\n\n\n\n<li>Respeitar as diversidade multicultural e os seus agentes e ser intransigente com discursos de \u00f3dio, preconceituosos e estigmatizantes.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Convidamos todos os Estados Membros da UE e as organiza\u00e7\u00f5es colectivas a associarem-se a esta Carta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">25 de Abril de 2021<br>A Confer\u00eancia do Porto Santo<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons alignwide is-horizontal is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-cbcdc57d wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>We are thrilled to share the final version of the Porto Santo Charter with you. The final text can be downloaded here in English, Portuguese, Castellano, and German. The full text can also be read in its English version below. Preamble 1. The Health of Democracy and the Role of Culture Democracy and the threats against it are once again the focus of intense debate in our societies. It is essential to critically evaluate the models of democracy that we implement and think of ways to intensify and broaden people\u2019s participation to legitimise institutions and decision-making processes. Democracy must be continuously evaluated based on its<\/p>","protected":false},"author":35082927,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""}},"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"footnotes":""},"class_list":["post-164","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/PcOAqI-2E","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35082927"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164"}],"version-history":[{"count":100,"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7515,"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/164\/revisions\/7515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portosantocharter.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}